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Luh Keler

Danças Circulares

Por Luh Keler

 

A Dança e as Danças Circulares

 

Quando falamos em Dança, muita gente já pensa “ah não sei dançar ou não tenho ritmo.”

 

Um provérbio africano diz: “Se você pode falar, você pode cantar; se você pode andar, você pode dançar.”

 

A Dança é uma das expressões artísticas mais primitivas do ser humano e quando eu digo primitiva, estou dizendo que é aquela que veio antes, primeiro. Ela pode ser considerada a primeira forma de expressão das emoções humanas. Mais do que isso,a Dança transcende os limites da Arte e ganha espaço na busca de conexão com o Sagrado, na reconexão com o ser e com o êxtase. Quando dançamos, somos Um com o todo.

 

A Dança está presente em todas as culturas:o ser humano sempre dançou, foi sua primeira forma de se comunicar. No início, ela estava intimamente ligada ao ritual, ao Sagrado ou era usada para expressar diferentes emoções – felicidade, tristeza, alegria, pesar ou êxtase. Antigamente, a aldeia toda dançava com um objetivo – celebrar um nascimento, um casamento, pedir chuva, agradecer a colheita, honrar os mortos. Antes de ter instrumentos musicais, o ser humano usava seu corpo: marcando o ritmo com os pés ou batendo palmas, sua voz para cantar e todo o seu corpo para expressar as emoções que estava sentindo, para imitar pássaros, animais, árvores e diferentes elementos da natureza.

 

Muito tempo depois, esse significado sacro começou a desaparecer e, então, as danças se tornaram um passatempo da comunidade; coreografias foram criadas e ensinadas nas cortes. Com o tempo, as Danças tradicionais foram perdendo seu aspecto ritualístico, mítico, folclórico e espiritual. Deixaram de ser expressão de um grupo para ser espetáculo para ser assistido ou representado.Daí esta ideia de que para dançar é preciso ser perfeito.

 

As Danças Circulares, como são conhecidas atualmente, floresceram na ecovila e comunidade de Findhorn (Escócia), atualmente denominada Fundação Findhorn. Foi um trabalho de resgate do pedagogo, bailarino e coreógrafo alemão Bernhard Wosien (1908-1986). Ele começou a perceber,jánaquela época, que as pessoas dançavam sozinhas ou, no máximo com seus pares; que as danças tradicionais estavam sendo esquecidas ou estavam sendo executadas por bailarinos como coreografias para demonstrar a cultura para turistas.Um dos seus desejos era trazer novamente o reconhecimento do valor espiritual das danças tradicionais e agregar jovens e velhos dançando juntos outra vez. Ele procurava uma nova forma corporal, mais orgânica de expressar os sentimentos e despertar o pertencimento.

 

Assim, em 1976, Bernhard Wosienensinou as Danças Circulares pela primeira vez na comunidade de Findhorn. Em 1986, o arquiteto mineiro Carlos Solano que foi hóspede na Fundação Findhorn por um longo tempo, foi quem as trouxe para o Brasil. Ele fez o treinamento com Anna Barton e foi o primeiro instrutor no Brasil.

 

A Roda Transpessoal

 

As Danças Circulares geralmente são praticadas em uma roda, todos de mãos dadas. O focalizador ensina a coreografia, treina-se um pouco e depois todos começam a dançar com a música. Podem ser coreografias simples, cujo movimento nos leva à um estado meditativo. Outras coreografias são mais desafiadoras, mas nos levam a olhar para nossos erros e acertos, e os erros e acertos de quem dança ao nosso lado.

 

Uma Roda de Danças Circulares coloca todos seus participantes em uma mesma sintonia devido a um ritmo comum proporcionado pela música e pela coreografia. Dessa forma, proporciona um fluxo e uma circulação de energia.

 

A Roda Transpessoal é uma proposta desenvolvida durante meu trabalho de conclusão de curso da pós-graduação em Psicologia Transpessoal. Com a minha experiência em focalização em Danças Circulares e as ferramentas aprendidas durante o curso, desenvolvi uma forma de construir a roda utilizando recursos variados. As informações obtidas durante a Roda podem ser utilizadas como ferramenta para provocar a auto-observação de quem pratica. Dessa forma, insights podem ser provocados e uma consciência sobre si mesmo pode ser ampliada.

 

Rodas Temáticas de Danças Circulares

 

As Rodas Temáticas são rodas com coreografias de Danças Circulares proporcionadas umavez por mês, quando nos reunimos para dançar temas específicos. As coreografias são cuidadosamente escolhidas especificamente para trabalhar aquele tema.

 

É possível experimentar músicas de diferentes lugares, culturas e tempos; danças tradicionais ou contemporâneas; meditativas ou mais rápidas. Não é preciso ter experiência para participar de uma roda; basta ter vontade e estar disposto a aprender.

 

As Rodas Temáticas de Danças Circulares oferecem a você, conhecimento, descoberta, transformação, diversão e muita alegria para a alma. Viva bem!! Dance com a vida!!

 

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